terça-feira, 18 de dezembro de 2007

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Para a Yashmeen

Repara bem naquele template.

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sexta-feira, 16 de novembro de 2007

FITO & FITIPALDIS - "POR LA BOCA VIVE EL PEZ"
Algo lo que me invade, todo viene de dentro Nunca lo que me sacie, siempre quiero, lobo hambriento. Todo me queda grande para no estar contigo. Sabes, quisiera darte siempre un poco más de lo que te pido. Sabes que soñaré, si no estás que me despierto contigo. Sabes que quiero más, no se vivir solo con 5 sentidos. Este mar cada vez guarda mas barcos hundidos. Tu eres aire, yo papel, donde vayas yo me iré, si me quedo a oscuras luz de la locura ven y alumbrame. Alguien dijo alguna vez por la boca vive el pez y yo lo estoy diciendo, te lo estoy diciendo otra vez. Dime porque preguntas cuanto te he echao de menos, si en cada canción que escribo corazón eres tú el acento. No quiero estrella errante, no quiero ver la aurora quiero mirar tus ojos del color de la cocacola Sabes que soñaré, si no estas que me despierto contigo. Sabes que quiero más, no se vivir solo con 5 sentidos. Este mar cada vez guarda mas barcos hundidos. No estas conmigo siempre que te canto, yo hago canciones para estar contigo, porque escribo igual que sangro, porque sangro todo lo que escribo. me he dado cuenta cada vez que canto que si no canto no se lo que digo. La pena está bailando con el llanto y cuando quiera bailará conmigo. La vida apenas solo dura un rato y es lo que tengo para estar contigo para decirte lo que nunca canto, para cantarte lo que nunca digo.

Este texto foi deliberadamente colocado sem pausas poéticas.
Porque há pessoas de imagens e há pessoas de palavras. E eu sou destas últimas.

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domingo, 7 de outubro de 2007

Irritações lusas

Recebo um molhe de revistas portuguesas e vejo como ando desactualizada. Portugal continua a ser um país que me provoca grandes irritações, especialmente a nível da imprensa escrita.
1º - Naquele jornal gratuito que é suposto informar o povinho analfabeto, o Destak, reencontro-me com a editora da minha emb(u)(i)rrância. A Sô Dona Isabel Stillwell volta a largar uma das suas brilhantes pérolas sobre Espanha. Parece que, já que abastecer em Espanha para poupar na gasolina contribui para os índices de poluição desse país, seria um acto patriótico que os portugueses o fizessem. Lembre-se, minha cara, que se a Espanha desaparecesse, Portugal ficava à mercê das vontades fronteiriças dos franceses. Mas, atendendo à manipulação da História que os ingleses tanto gostam de fazer, as invasões napoleónicas devem ser um conceito por si desconhecido.
Esta senhora, há uns anos, fez uma crónica/artigo de opinião/seja lá o que for que ela escreve em que apelidava os espanhóis de arrogantes, mal-educados, gente que grita e sem maneiras. As cartas de resposta foram tantas que a Sô Dona Isabel teve que fazer um pedido de desculpas público. Não se insulta um povo e uma nação gratuitamente sem esperar troco. Se foi a Benidorm e não gostou, na volta deve lá ter estado numa época em que os seus conterrâneos tratam de poluir e vandalizar esta grande nação que deu ao mundo Cervantes e a novela mais perfeita da História da Literatura (não sou eu que digo, são estudos de gente muito mais sapiente). E, para terminar, deixe-me lembrar-lhe que, enquanto a senhora se queixa de que tem que escrever num papelinho ranhoso enquanto está presa no trânsito a comer com os fumos e a imundice de Lisboa, eu escrevo da zona menos poluída da Europa, com campos debaixo do nariz e uma internet de alta velocidade sem fios a 39 euros por mês. Essa zona chama-se Andaluzia, tem o parque natural mais bem conservado da Europa (Doñana) e faz parte dessa Espanha que lhe provoca urticária, por se estar borrifando para a superioridade anglófona de que a sua gente tanto gosta.

2º - Num suplemento dominical do JN/DN, o Gonçalo Cadilhe quer recriar o percurso de Magalhães e escreve sobre Sevilha. Muito bem. Pena é que fale de Sevilha como uma cidade matreira, onde predominam os assaltos e o tráfico de heroina e não se dê ao trabalho de escrever devidamente os nomes dos monumentos.
Sevilha é das cidades mais seguras da Europa. E das mais limpas também. Na calle Bétis, posso andar em segurança às quatro da manhã apenas com uma amiga. Consegue dizer o mesmo do seu Bairro Alto?
Quanto à heroína, engana-se: Espanha é o maior consumidor mundial de cocaína. Que é bem mais chique. E de melhor qualidade que aquela que consegue comprar em Chelas. Mas, se se quiser abastecer, não poderá ir ao dealer em frente à esquadra da Polícia, como no seu bairro: tem que ter juizinho e andar com cuidado, que a criminalidade aqui não compensa. Deve ser a isso que se refere quando fala dos genes exaltados dos andaluzes e do facto de haver uma placa em Sevilha que exalta a nobreza dos espanhóis que partiram com Magallanes, que o senhor jornalista considera arrogância. Não fosse o dinheiro da Coroa Espanhola e ainda hoje pouco se falava de Descobrimentos. Queria que se exaltassem os feitos de quem, afinal? É este nacionalismo patriótico dos espanhóis que é tão comichoso para os portugueses, não é? Ou haverá uma ponta de invejazinha por aí, senhor Cadilhe (este apelido não me é estranho...)?
Quanto aos monumentos, trata-se dos "Reales Alcazares" e não "Reales de Alcazares", como este senhor escreveu, que não são o monumento mais importante de Sevilha, como ele afirma. Ninguém tira esse posto à catedral. Também não conheço a igreja Santa Maria Triana, mas sim a Esperanza de Triana. O mais engraçado é que qualquer roteiro manhoso ali da terra da Sô Dona Stillwell menciona estes nomes correctamente.

3º - O Verde Eufémia é uma coisa vergonhosa. Porém, quando se permite que uma faculdade seja um centro de trabalho de partidos trotskistas, é isto que se pode esperar. Não sei por que é que se critica tanto as faculdades privadas. Já alguém pôs os olhos em certas e determinadas faculdades públicas? Oscilando entre um nicho de fundamentalistas e o Chapitô, saem de lá vândalos deste calibre. Porém, ninguém se atreve a fazer uma reportagem sobre isto, porque os senhores professores estrelas de televisão não iam gostar e lá se ia o empregozinho a recibo verde no jornal, que em Portugal toda a gente tem amigos.

3º - Não me falem mal do Saramago. Esse sim, tem atitude. Deve ser dos maus genes da sevilhana que o encantou, e que gere a sua obra e o seu património de forma devota. Saramago domina as técnicas narratológicas com a maestria de um Eco. Saramago entrança tramas e enredos, ficções e realidades de uma forma tão sublime que temos que recuar a Aristóteles para compreender estes grandes actos de literatura. Não, Saramago não me apaixona, mas vergo-me perante a sua batuta. Porque literatura não é só ter um amigo numa editora e editar umas palavrinhas que nos vêm do coração. Saramago é um mestre da narratologia. Venha quem vier, o Nobel foi muito bem merecido. E a descasca que o Cavaco está constantemente a levar, também. Porém, camarada Saramago, não podia esperar que a cabecinha numérica do senhor Cavaco ousasse defendê-lo quando se tratou da polémica sobre "O Evangelho segundo Jesus Cristo". É que naquela cabecinha dotada para os números há muita missa e pouca literatura. Mas tu, camarada Saramago, podes dar-te ao luxo de virar as costas a um Presidente. Porque és livre em Lanzarote, porque tu e a tua mulher são Filhos Pródigos da Andaluzia e porque tens o tempo de antena que quiseres no Canal Sur, que até te pôs um estudio de emissão em casa. E porque és dono do Verbo, aquele que está no princípio de tudo.
Saramago, as tuas duas páginas diárias são um elixir que perdurará no tempo. Aqueles que te criticam ficarão nos anais da História apenas até que essa mesma História os esqueça.


E com isto me retiro. Tenho ali um jornal desta semana para ler, com as estatísticas de acidentes relacionados com crianças no Reino Unido, a propósito do caso Maddie. E não, não está escrito em português.

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quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Manuel Alegre

É com grande contentamento que tomo conhecimento de que "O Homem do País Azul" está incluído no programa de Português do 10º ano. Não basta queixarmo-nos da falta de cultura dos nossos adolescentes: há que mostrar-lhes que o maior património de Portugal não é o cozido à portuguesa ou o Cristino Ronaldo, mas sim os seus poetas.
Este é, sem dúvida, o meu poeta de eleição dentro dos contemporâneos e de língua portuguesa. Encontro em Manuel Alegre a mesma força das palavras, a mesma energia vital, a mesma voz grossa de Ary dos Santos. Talvez a carreira política de Manuel Alegre e a sua clara identificação à esquerda tenham feito dele um poeta maldito, porque o meio literário lusitano lida muito mal com quem toma opções políticas, numa pequenez de espírito que não se vê nos países ditos civilizados em geral (quando Saramago ganhou o Nobel, muito se disse por aí: "AH! Mas ele é comunista!!"). O que é certo é que Portugal não dá o devido valor a este artífice das palavras libertárias, e comete-se a suprema injustiça de silenciar este escritor que sempre lutou por se fazer ouvir.
Uma pena, digo eu. Porém, o tempo e as gerações vindouras encarregar-se-ão de lhe fazer justiça. Digo eu, porque acredito nesta voz poética desde que me deparei com este poema, que de seguida transcrevo, num livro da minha quarta classe.

Manuel Alegre nasceu em 1936 e estudou na Faculdade de Direito de Coimbra, onde participou activamente nas lutas académicas. Cumpriu o serviço militar na guerra colonial em Angola. Nessa altura, foi preso pela polícia política (PIDE) por se revoltar contra a guerra. Após o regresso exilou-se no norte de África, em Argel, onde desenvolveu actividades contra o regime de Salazar. Em 1974 regressou definitivamente a Portugal, demonstrando, nos vários cargos governamentais que tem desempenhado ao longo dos anos, uma intervenção fiel aos ideais da Liberdade.
A sua poesia foi e é um hino à Liberdade e, talvez seja por isso que é lembrada por muitos resistentes que lutaram contra a ditadura. É considerado o poeta mais cantado pelos músicos portugueses, designadamente Adriano Correia de Oliveira, José Afonso, Luís Cília, Manuel Freire, António Portugal, José Niza, António Bernardino, Alain Oulman, Amália Rodrigues, Janita Salomé e João Braga.

As mãos

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema - e são de terra.
Com mãos se faz a guerra - e são a paz.
Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade."

"O Canto e as Armas", 1967

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Considerações (não digo randómicas, mas quase)

Já tenho um portátil; depois de comprar uma casa, hei-de comprar uma campa. De preferência daquelas ao alto, com gavetas, para poder pôr a cabecinha de fora do caixão e conversar com os meus vizinhos. Num sítio bonito, para no dia do Juízo Final eu ter vontade de sair.
Nem sequer é ser mórbido, desculpem lá. Como dizia o outro, a morte é a única certeza que temos e só não sabemos o dia. Eu acrescento que alguns até escolhem o dia. O que é certo é que o gajo que dizia isso morreu e tudo e eu ainda cá ando.

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sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Para todos os colegas de profissão...

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sexta-feira, 21 de setembro de 2007

This one goes to... JP

Just because I like you. :)


"Aenima" – Tool

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terça-feira, 11 de setembro de 2007

Devolver ao povo... mas não tudo

Há 80 anos, em plena Guerra Civil, Franco consegue os Pazos de Meiras, uma pequena localidade galega. Com a "doação" de um dia de salário de cada funcionário público, este monumento histórico passou para as mãos do ditador e depois para as da sua família. A Xunta de Galicia reclama que o monumento deve ser aberto ao público, por ser de interesse histórico, mas Carmen Franco (a filha do Generalíssimo) não está de acordo. Os Franco são acusados de saquear todo o património histórico que existia no interior da propriedade depois de saberem das intenções da Xunta e de se recusarem a deixar entrar os técnicos de avaliação de património. Dizem que, após 80 anos e independentemente da forma como foi conseguido, os Pazos de Meiras são propriedade privada.
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No fim da ditadura franquista, a família Franco preparava-se para vender tudo o que tinha e mudar-se para Miami. Juan Carlos disse-lhe que podiam ficar, porque em Espanha não haveria "revanchismo" político contra a família do ditador. Eles ficaram e casaram com gente também abastada financeiramente. As fortunas engrossaram, e nem sempre de uma maneira ilegal. Agora querem que os Franco sejam praticamente despojados de tudo.
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Ironicamente, a neta favorita de Franco, a Carmen Martinez-Bordiú, aumentou grandemente a sua conta bancária à conta de exclusivas nas revistas espanholas. O seu irmão, Jaime Martinez-Bordiú, debate-se na justiça com a sua ex-companheira e uma acusação de maus tratos num hotel de Marbella, e alimenta horas de programas de televisão sobre os famosos de Espanha.
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Eu pergunto: afinal em que ficamos? Então e os monumentos onde vivem os Borbones monarcas, os condes disto e daquilo e outros entes monárquicos afins não têm que ser também devolvidos ao povo? E a fortuna colossal do património da Duquesa de Alba?
Ou será isto... revanchismo a longo prazo?

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quarta-feira, 5 de setembro de 2007

"MORIENDUM CERTUM EST
INCERTUM AN EO IPSO DIE"
Cicerus

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sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Uma era bela, loira, alva e bondosa. Era afável e alta, esguia e amiga das crianças e dos pobres. Fazia-se amar pelos espelhos. Vestia-se bem e devia cheirar ainda melhor. Tinha um toque de rebeldia que enamorava as conterrâneas, que sonhavam com o seu conto de fadas e o seu porte de princesa de outros tempos.
A outra amava os cavalos. Tanto que as feições se foram tornando equinas, e dizem as más línguas que o cheiro também. Não era loira nem bela; tinha cabelos crespos e de cor indefinida. Dizia palavrões numa voz roufenha. Nada do que vestia lhe assentava bem, e não era culta nem requintada.
Contudo, ele amava-a. Não a primeira, mas a segunda, contra um matrimónio arranjado, contra a própria família, contra uma nação inteira e mesmo um mundo cor-de-rosa que reclamava a imagem endeusada da primeira.
Mas ele amava aquela que não tinha encanto. Talvez porque ela fosse genuína, e o anjo louro não passasse de uma boneca de porcelana que por vezes corava.
Amava-a a tal ponto que há-de fazer dela a sua rainha. Custe o que custar. Por cima da imagem da própria perfeição, há-de vencer a humanidade da mulher simples que ele nunca esqueceu. A mulher que, tal como ele, era imperfeita, e cujo nariz adunco competia com as suas orelhas de abano. Aquela talvez com quem ele se sente irmanado, ele, que tão pouco tem a ver com o anjo louro e belo, porque é torpe e desajeitado.
A perfeição de Diana de Gales comprou-lhe o mundo, mas não o amor de um homem. Esse, doa a quem doer, há-de ser sempre da mulher que poderia perfeitamente ser a sua antítese de perfeição.
Para pensar.

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quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Como maior espanhol de sempre, foi escolhido o rei Juan Carlos. Está mal. Eu acho que devia ter sido o Julio Iglesias.

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domingo, 26 de agosto de 2007

Exorcismos

O mais famoso exorcista espanhol é um arcebispo. Todos os anos, reúne-se com outros membros da Igreja espanhola especializados em tal prática para um congresso, de onde surgem conclusões brilhantes.
Este senhor arcebispo declarou recentemente a um jornal espanhol as pautas pelas que se guia, sendo que são sinais de que se está perante um possuído os seguintes factos:
- fala muitas línguas fluentemente, sem que se saiba bem onde as aprendeu.
- conhece segredos ocultos do seu exorcista, apenas por olhar para ele.
- ganha uma força física fora do comum ou para além da sua constituição física.
- normalmente, tem um diagnóstico de transtorno bipolar, ansiedade ou de esquizofrenia, que não se consegue curar porque não passa de um demónio instalado comodamente na sua psique.
Após uma busca no Google, parece que esta associação medievalóide de possessão aos transtornos mentais é uma das ideias mais difundidas entre as seitas, igrejas e diversas filosofias associadas ao Cristianismo. Em suma, os demónios tornam-nos pessoas cultas, inteligentes, saudáveis e perspicazes e isso só PODE SER obra do demo. Ou esta gente interpreta tão mal a Bíblia que não percebe que os sete demónios lá referidos não passam de uma alegoria dos sete pecados capitais, ou mais vale realmente pedir um orçamento a um exorcista porque isto de ser mais esperto que o padre pode sair caro. ;)

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domingo, 19 de agosto de 2007

"Distância. Nunca avancei pelo tapete até às cerimónias. Até à plenitude da vida da multidão, até à música autêntica e até ao cheiro dos homens. Nunca assisti a casamentos nem a enterros. Para mim tudo teve lugar na solidão do campanário com o som ensurdecedor dos sinos apelando com vozes de ferro, ou na cave onde roía juntamente com os ratos as velas e o incenso armazenados. (...)
Não posso ter a certeza de nenhum acontecimento ou lugar a não ser da minha solidão. Diz-me pois o que as estrelas contam de mim. (...)
Há no meu olhar uma ruptura por onde a loucura sempre escoa. (...)
Sou uma mulher louca a quem as casas piscam o olho e oferecem a hospitalidade dos seus ventres."

- Anais Nin, "A Casa do Incesto"

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"Don't break my heart, or I'll break your heart-shaped glasses" - e não digo quem foi o ídolo pop que escreveu isto... ;)

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sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Sangre y azahar en Cunninghame Graham


POR FERNANDO IWASAKI, in "ABC- edición de Sevilla" del 11/08/2007
"Fundador del partido socialista inglés, escritor trashumante, jinete consumado y amigo de Valle-Inclán, Joseph Conrad y Buffalo Bill, Robert Bontine Cunninghame Graham (1852-1936) fue un enamorado de la cultura hispánica, pues pasó su infancia en Andalucía, recorrió Hispanoamérica a caballo desde la Patagonia hasta Texas y murió en Argentina, donde todavía se le venera por sus cuentos sobre gauchos, cuchilleros y compadritos, que alguien debería cotejar algún día con los de Jorge Luis Borges.
Uno creía que el único vínculo entre Sevilla y Cunninghame Graham era Abelardo Linares, poeta y librero sevillano que ha editado las únicas obras del viajero escocés publicadas en España -El Río de la Plata (Espuela de Plata, 2004) y Trece Historias (Espuela de Plata, 2006)-, hasta que el propio Abelardo puso en mis manos una alhaja bibliográfica que tiene que ser una golosina para cualquier coleccionista de curiosidades sevillanas: Aurora la Cujiñi. A Realistic Sketch in Seville (Leonard Smithers, London, 1898), un primoroso folleto del que apenas se imprimieron quinientos ejemplares.
Gracias a la edición de C.T. Watts, Joseph Conrad´s Letters to Cunninghame Graham (Cambridge, 1969), sabemos que el autor de El corazón de las tinieblas no sólo disfrutó del segundo ejemplar numerado de aquella tirada («Tr_s cher ami: This morning I had the Aurora from Smithers Nº 2 of the 500 copies. C´est, tout simplement, magnifique», 30th July 1898), sino que lo recomendó a Edward Garnett («He read Aurora here. He thinks it is simply great», 27th August 1898), editor de Conrad y de Lawrence de Arabia. Garnett se entusiasmó tanto con la recomendación de Joseph Conrad que se lo encareció así a Cunninghame Graham: «At Conrad´s the other day I read your Aurora la Cujiñi. It is one of the finest things you had done, & certainly the richest in colour. Only an «impression» you will say. Yes, but something that transfers the intoxication to us» (26th August 1898). Es decir, una colorida y embriagadora historia, la mejor de todas las escritas por Cunninghame Graham.
¿Y cómo era esa Sevilla que fascinó al autor de Nostromo? ¿Quién era Aurora «La Cujiñi»? ¿Qué quiso contar Cunninghame Graham?
Amante de los caballos -sobre los cuales escribió varios libros como The Tale of Two Horses (1935), Rodeo (1936) y The Horses of the Conquest (1930), dedicado a su caballo «Pampa»- Cunninghame Graham no toleraba las carnicerías que se perpetraban durante las antiguas corridas de toros y así no tuvo reparos en describir todo el horror que le producía ver a los caballos destripados, agonizantes y desangrados en la plaza de la Mestranza, a quienes comparó con los mártires cristianos en el circo romano: «Hungry and ragged, they had trodden on their entrails, received their wounds without a groan, without a tear, without a murmur, faithful to the end; had borne their riders out of danger, falling upon the bloody sand at last, with quivering tails, and, biting their poor parched and bleeding tongues, had died just as the martyrs died at Lyons or in Rome, as dumb and brave as they». Así, en la Sevilla de Aurora la Cujiñi, el olor de la sangre de los caballos es más fuerte que el perfume de la primavera.
Otra cosa que llamó la atención de Cunningham Graham fue el «arte de piropear» de los sevillanos, cuya descarada manera de examinar a las mujeres y de ponderar las porciones más sobresalientes de sus anatomías, le recordó a los tratantes ingleses de caballos: «If a woman, rich or poor, a Countess from Madrid, or maiden of the Caloró from the Triana, chanced to pass, they criticized her as a prospective does a horse at Tattersall´s. Her eyes, her feet, her air, everything about her, were freely commented on, and if found pleasing then came the approving «blessed be your mother!» with other compliments of a nature to make a singer at a Paris café concert blush». Según Cunninghame Graham, los bares de la calle Sierpes se llenaban de hombres que todo el tiempo hablaban de toros, de política y de mujeres («The cafés were gorged with clients, all talking about the bull-fight, the Government, or disputing of the beauty and the nature of the women of their respective towns»). Menos mal que en eso sí hemos cambiado con respecto al siglo XIX, porque ahora en el siglo XXI además hablamos de fútbol.
Así, en aquella Sevilla que durante el día olía a sangre y a azahar, Cunninghame Graham buscó refugio nocturno en el Café del Burrero, que más que un templo flamenco se le antojó un antro machista («So on this evening the «Burero» was packed with men»). Un café-cantante cutre y oscuro como una cueva («An enormous music-hall, without a looking-glass, without a bar, without a velvet-cushioned seat, half lit by miserable oil lamps») y con una clientela más bien inquietante («the flower of the rascality of Spain»). Ahí, mientras los parroquianos bebían manzanilla y comían boquerones, un viejo gitano le contó la historia de Aurora «La Cujiñi», una gitana maravillosa que había bailado mejor que nadie, antes de morir trágica y misteriosamente. De pronto, una bellísima joven emergió de la noche oscura vestida como una gitana antigua («dressed in a somewhat older fashion than the others, her hair brought low upon her forehead and straying on her shoulders in the style of 1840, her skirt much flounced, low shoes tied round the ankles, a Chinese shawl across her shoulders») y ejecutó un baile profundo, sensual y hechicero, antes de esfumarse otra vez. Todos los gitanos del Burrero sabían que era un fantasma, pero todos jalearon y aplaudieron su baile, porque bailar era su gloria y su condena. «One God, one Cujiñi», balbuceó conmovido el anciano gitano.
¿Cómo podía encarnarse así un alma en pena? Cunninghame Graham quería creer que «La Cujiñi» regresaba del trasmundo a bailar, cada vez que el olor de la sangre y el azahar se fraguaban en el aire («she took a brief and fleeting reincarnation to breathe once more the air of Seville, heavy with perfume of spring flowers mixed with the scent of blood»). Ignoro si García Lorca leyó a Cunninghame Graham, pero seguro que habría admitido que «La Cujiñi» era lo más parecido al ser que conjuró en su conferencia «Teoría y juego del duende»: un gólem de sangre y azahar."

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Mais considerações randómicas

Os nihilistas são, sem dúvida, os mais felizes. Eu, pela minha parte, dispenso.

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Temos um link para um dicionário neste blog. Isso fará de nós uns snobs?

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Não fosse esse ser um título reservado de pleno direito à Arya pela sua brilhante autoria e criaria um blog chamado "Considerações randómicas". A sério que sim.

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sábado, 11 de agosto de 2007

Talking about love...



Blackmore's night - "Ghost of a Rose"

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sexta-feira, 10 de agosto de 2007

O regresso de Zorro

Os corações das mulheres espanholas batem forte por esta telenovela. Uma recriação latino-americana de "Zorro", que há meia dúzia de anos não seria considerada mais do que uma xaropada, neste momento é líder de audiências e conquista até as adolescentes, geralmente avessas a este produto televisivo.
Procurarão as pessoas de novo o amor à moda antiga? O que é certo é que a Beyoncé, que se faz pagar a peso de ouro, foi convidada para a banda sonora desta novela, juntamente com outra mega-estrela da canção em espanhol, e que as vendas dos discos não mentem. Voltaremos às velhas fórmulas televisivas, para compensar esse vazio emocional das sociedades fartas e saciadas até à exaustão de sexo e apelos eróticos? Quererão as pessoas amar como antigamente, com valentia e heroismo?
Fica o vídeo. Para pensar.

Beyoncé & Alejandro Fernández – “Amor gitano”

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quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Conheci-a numa reportagem de um jornal espanhol. Qiongma poderia ser apenas mais uma chinesa de meia idade, que reside com o filho e o pai idoso, um médico "reeducado" pelo regime maoísta, num apartamento minúsculo e bafiento de Pequim.
Mas não é. Ninguém fala nela, não há fotos dela na internet. Qiongma traz no dedo um anel sumptuoso com séculos de história e tem em casa um dragão de jade valiosíssimo, que o pai conseguiu enterrar quando Mao chegou ao poder e que sobreviveu a anos de repressão. Tem também a árvore genealógica da família, onde reina a sua antepassada Cixi. Sendo ela a quinta geração de descendentes desta imperatriz, é a última princesa chinesa, pois considera-se que a sexta geração já não tem pureza de sangue. Estas são as únicas heranças que restaram de um monumental império.
Mais alta do que o comum, dotada de uma inteligência excepcional, Qiongma passou de calar as suas origens a ser uma "convidada decorativa" que fica sempre bem na alta sociedade chinesa. Está na moda ter uma amiga princesa. Apesar disso, aquela que poderia ser a mulher mais poderosa do mundo foi abandonada pelo marido. O amor não conhece aristocracias.
Como não pode governar o país que vai governar o mundo, Qiongma escreve guiões de televisão e cinema - duas formas diferentes de controlar a realidade. Sonhos de alienação, digo eu.

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